Archive for June 10th, 2007
I shop, therefore I am

Feriado é bom que serve para colocar um monte de coisas em dia, como praticar meu esporte predileto, que é jogar coisas fora. Assim, conseguimos reunir muitas coisas que estavam em bom estado, porém que não usávamos mais, para levar para doação.
De levar alguns badulaques, a gente começa a pensar porque raios a gente compra tanto, se no final das contas o destino disso tudo é passar para frente. Que inferno que é consumir, na verdade! Porque não dá, simplesmente, para jogar as coisas fora, no lixo. Eu sou responsável por aquilo que compro, e não posso ficar simplesmente jogando por ai o que não quero mais. De alguma maneira, aquilo precisa ser reciclado, seja outra pessoa usando, seja virando outra coisa, sei lá.
Não sou xiita a respeito, não sou eco-chata. Não vejo nada de mais em comprar um par de sapatos, ou até dois :P. Na verdade, sempre gostei de consumir, nunca fui exatamente mão-de-vaca, mas não sei se é a idade, mas tenho cada vez menos disposição para isso. Tenho consumido cada vez mais de uma maneira “racional”, ou seja, comprando conforme a necessidade. Até para livros, que era uma coisa que eu costumava comprar a rodo, agora tenho comprado conforme termino de ler os que estão na minha fila. Antes, a fila crescia numa velocidade que só fazendo leitura dinâmica para dar conta.
O fato é que, no geral, somos muito levados a consumir. Às vezes cansa ver como boa parte do tempo e energia das pessoas gira em torno do que comprou, do que quer comprar ou do que comprará (ou da preocupação em pagar as contas do que comprou). Que canseira!
Por outro lado, tenho me tornado cada vez mais simpática ao consumo digital. Isso quer dizer informação, música, filmes, o que antes implicava em comprar revistas, CDs, DVDs, etc. E isso não quer dizer pirataria, já que muita informação boa encontro em blogs, sites e wikipedias, tudo free e legal. Música, por exemplo, já tenho comprado com uma certa frequência. Ocupa bem menos espaço em casa, a manutenção é bem mais simples e aposto que gasta bem menos energia para reprodução.
O assunto me fez lembrar de várias coisas:
- Adbusters: revista que assinei durante um período, e que instituiu o Buy Nothing Day
- Barbara Krueger: é dela o título deste post. Barbara na Wikipedia, no MoMA e mais alguns trabalhos dela.
- Bookcrossing e BookMooch: devíamos ter um site brasileiro como estes…

Pôster feito pela agência Leo Burnett, Cingapura
Extermínio 2

“Extermínio” (28 days later), junto com a refilmagem de Dawn of the Dead, que na tradução, se não me engano, é Madrugada dos Mortos, é meu filme de zumbis predileto. Só isso explica o meu ânimo para ir até o Jardim Sul, o shopping mais próximo da civilização e que ainda passava o filme. E aqui um parênteses, o cinema do Jardim Sul, apesar de longe pra burro, é ótimo. Em pleno sábado à noite, a maior tranquillidade! E ainda rola um café delicioso no Havanna antes da sessão de comilança de cérebros.
Se o primeiro era “28 days later”, o segundo é “28 weeks later”. Ou seja, alguns meses se passaram, os zumbis do filme anterior acabaram morrendo de fome, aquela coisa. O filme é ótimo e realmente assustador. De todas as categorias de monstros – vampiros, exterminadores, computadores maus, almas penadas e bichos-papões, os zumbis são os que realmente me assustam (vai entender), do tipo de tirar meu sono durante a noite pensando se tenho comida enlatada suficiente para sobreviver trancada em casa, em caso de infestação de zumbis lá fora.
As cenas são mais sanguinolentas que o primeiro filme e os zumbis, mais espertinhos e babões. É incrível, aliás, como eles são ágeis! Para mortos-vivos, eles estão bem sacudidos.
A tristeza é que nem os zumbis estão fugindo à contaminação das continuações. Pelo final, tem gancho para mais. Quero ver se eles vão continuar espertinhos assim e conseguir fazer uma continuação que não seja mais do mesmo.
Enfim, foi um bom programa, e não vou ficar contando mais, para não estragar o suspense de quem ainda quer ver. Se bem que pela quantidade de cinemas que estavam com o filme em cartaz, acho que ninguém está muito interessado.
(by the way, tecnicamente eles não são zumbis e não comem apenas cérebros. O que vier – bracinho, pescoço, perna- na verdade, é lucro. E de mais a mais, quem compra comida enlatada por aqui?)

