Archive for November 4th, 2007
amo muito tudo isso
A grande graça de um desfile de moda é justamente fugir, por 20 minutos que seja, da realidade. Por isso há tanta graça nos desfiles de moda onde os estilistas piram pra valer, por isso há tanta graça em ver um Ronaldo Fraga, um Lino Vilaventura na passarela. E por isso não tem nenhuma graça ver desfile de moda que mais parece vitrine de loja de shopping, porque lugar de ver roupa do dia-a-dia não é na passarela, é na loja e ponto. Passarela é lugar para sonhar e viajar.
E se passarela é lugar de sonho e de imaginação, a Miki explorou ao máximo isso, desfilando suas bonecas, recontando a história de Alice. Cada detalhe milimetricamente pensado (o rigor, o rigor!), cada miçanga bordada, eu só pensava no trabalho insano que ela teve para montar tudo isso.
Lembrei imediatamente dos anos de Sta Marcelina (de novo!) e o trabalhão que era montar uma coleção e um desfile por semestre, e de como aqueles poucos minutos de passarela tinham que condensar um semestre inteiro de sangue, suor e lágrimas.
O desfile foi ótimo, mas eu tenho certeza que, a la Frank Gehry, o caminho todo que ela teve para chegar até ele foi muito mais interessante e mais rico, e espero que um dia ela possa contar isso para a gente :)
- Site da Miki, post sobre o desfile
- Alice Wannabe, a set @ Flickr, by Renato Targa
- Toys, a set @ Flickr, by Ana Carmen

No mesmo dia, os Correios gentilmente me entregaram meus livrinhos de bonecos!
Fuzzy people
Para sentir o drama de como estou atrasada nos assuntos que quero escrever aqui, no dia 26 de setembro (!) a Mari postou sobre “fuzzy people” lá no blog da Mapa Digital. Bateu uma identificação no ato!
Toda vez que tenho que preencher uma ficha de cadastro (do que quer que seja) e aperece aquele campo da profissão, eu travo. O que é que eu digo? Acabei adotando de vez o “analista de produtos”, que não é bem uma profissão, a meu ver, mas mais um cargo. O analista de produtos, exatamente por não ser muito claro, pode ser um monte de coisas, e deixo a cargo de quem lê imaginar o que eu faço.

O ser fuzzy é exatamente aquela pessoa que vai na contramão da especialização. Não é contra se aprofundar em algum assunto (ou assuntos), mas é a pessoa que não se limita a um campo, que tem um perfil muito mais generalista que especialista. É este ser doido por novidades, antenado, que consegue enxergar para além da sua baia e da sua área. A definição caiu como uma luva, porque não consigo me imaginar sendo de outra forma. O mundo é interessante demais para a gente se restringir a alguns poucos assuntos :D .
A Mari indica a apresentação do David Armano sobre o assunto, que vale a pena ver.
EBAI
O 1˚ EBAI – Encontro Brasileiro de Arquitetura da Informação – aconteceu nos dias 19 e 20 de outubro, aqui em São Paulo. Tivemos palestras ótimas e o saldo final foi muito bom. Ok, algumas palestras não eram assim uma maravilha, mas algumas, como o da Lêda, arrebentaram a boca do balão. Só para destacar, entre as que eu vi, as que eu mais gostei foram as palestras do Gil, da Globo.com e da Agência Click. Para quem quiser ver um pouco mais, as apresentações estão no Slide Share e os papers, no site do EBAI.
Além da oportunidade e do espaço de se discutir AI e o trabalho do arquiteto de informação, foi muito bom conhecer as pessoas ao vivo, como as meninas da Mapa Digital (provavelmente a agência mais fofa da Internet brasileira), como a Lu e a Luiza. Eu já era fã virtual delas, do trabalho e dos blogs, e agora virei fã real. :D

Paper toys distribuidos pela Mapa Digital. Foto da Lu, mas já montei os meus também. Diz se elas não são umas fofas ou não??
Carol, Guilhermo e a todos que fizeram o evento acontecer, meus parabéns, e que venha o 2˚ EBAI. Já estamos ansiosos por ele!
Ainda falando sobre o assunto…

Frank Gehry conta que quando criança ele brincava muito com a avó, que sempre trazia para ele bloquinhos de madeira, que na verdade eram sobras e aparas de madeira.
Isso me fez lembrar de um brinquedo que eu tinha, quando criança, que era uma das minhas grandes paixões, e que eram exatamente bloquinhos de madeira, como os da foto acima. Provavelmente foi o brinquedo que por mais tempo me acompanhou (isso e as Barbies onde minha mãe e eu inventávamos roupas e mais roupas), que me proporcionou boas horas de montar e desmontar. Eu também me lembro da caixa de madeira onde guardava os bloquinhos, todos encaixados formando um retângulo certinho.
Acho que a grande graça destes bloquinhos, ao contrário daqueles que pareciam tijolinhos mesmo, é que eles não tinham cara de nada. Ou seja, eles poderiam ser qualquer coisa!

Fuçando no Google encontrei várias lojas que vendem brinquedos semelhantes e até as instruções para fazer um igual. Preciso urgentemente encomendar o meu :)

Imagens (e instruções) do How Stuff Works
Sketches of Frank Gehry

Quando viajo invariavelmente meu destino é alguma cidade, de preferência grande. Não tenho ganas de ir para praia, campo, meio do mato, montanha, o que quer que seja, o contato com a natureza não é meu forte. Eu curto é prédio, tanto que em fotos de viagem tenho a péssima mania de querer apenas fotografar construções.
Digo isso para ilustrar melhor porque quase fui às lágrimas quando vi os trechos do documentário sobre Frank Gehry, no curso do Charles. Eu tinha que ver o documentário inteiro.
Dirigido por Sidney Pollack, Sketches of Frank Gehry mostra resumidamente o processo de criação do arquiteto, suas obras, seu psicanalista :D , justapondo os vários lados de Frank em 1h20 de filme. Eu nunca tinha me dado conta de como Frank Gehry é semelhante a Gaudí. Os espanhóis também devem enxergar algo de familiar nele, pela quantidade de obras de Gehry que existem na Espanha.
Mais do que conhecer as obras do arquiteto, o mais bacana do documentário é acompanhar o processo de criação. Gehry faz parecer que construir um Guggenheim Bilbao é brincadeira de criança e nada mais falso do que isso. Como ele mesmo diz, quem vê a obra pronta não imagina todo o trabalho que houve até se chegar no resultado final. E isso é que é o mais interessante, na história toda.
Frank Gehry, Charles Watson, o processo criativo e a total falta de tempo

As duas últimas semanas foram uma correria e tanto. Não é uma reclamação, apenas uma constatação. A única coisa que não gosto destes períodos de atividade intensa é a falta de tempo de observar algo diferente do dia-a-dia, já que este te absorve todos os minutos.
Passaram duas semanas e nem consegui comentar sobre o EBAI, que foi bem bacana e por isso merece um post à parte. Teve festinha do Flickr, que foi bem divertida, também. Teve até aniversário desta que vos escreve e deste blog. A autora chegando honrosamente à sua versão 3.1 e este blog, que começou em 20 de outubro de 2005, com outro nome e uma idéia um pouco diferente (apesar do primeiro post já ter sido sobre estantes!) e que, assim como a vida da gente, acabou também por mudar um pouco seu direcionamento, mas sem perder o principal.
Também no meio do turbilhão teve a segunda parte do curso do Charles Watson sobre o Processo Criativo, lá no Instituto Tomie Ohtake. A primeira parte rolou há um mês atrás e parece que existe uma terceira e quarta partes, mas espero ter algum descanso antes de encarar outros finais de semana como este.
O curso é intensivo – mesmo. Durante 4 dias, quinta e sexta à noite, sábado e domingo o dia todo, passei sentada ouvindo um turbilhão de idéias e conceitos. É intenso e desafia até a sua resistência física de ficar sentada e prestando atenção este tempo todo. Mas foi bastante gratificante. No final do curso, do módulo 2, após ver trechos do documentário do Frank Gehry, eu estava bastante emocionada pensando que falta faz na vida da gente ter uma pessoa como Charles, para apontar e fazer a gente perceber coisas que, nessa correria, a gente passa batido.

Deu uma baita saudade de todos os professores bons, principalmente os de História da Arte, que já tive na vida. Aliás, eu sempre tive uma relação de paixão com os meus professores de H.A.. Não exatamente paixão pela pessoa em si, não nesse sentido convencional, mas pelo tanto que estas pessoas sabiam. Eu me lembro das aulas que tinha na Sta Marcelina, onde era capaz de passar o dia ouvindo a professora de H.A. , 12 aulas seguidas durante a manhã e a tarde, porque eu queria absorver tudo, tudo era fascinante demais para que eu corresse o risco de esquecer.
Mas depois a gente se forma e o tempo vai ficando cada vez mais curto e torna-se impossível esse tipo de entrega, infelizmente. O curso do Charles foi uma brecha para reviver um momento destes. A fórceps, porque só assim a gente consegue umas horas do dia para se entregar a algo tão fascinante e tão aparentemente sem utilidade quanto discutir criatividade e arte.

Fotos de desenho, maquete e obra de Frank Gehry, via Telegraph.co.uk



